Adl, a justiça divina
A justiça de Deus é tratada como princípio teológico estruturante.
O que é: No xiismo, especialmente no duodecimano e no ismailita, a justiça divina ocupa posição destacada entre os princípios da religião.
Como a religião entende: Deus não age de modo injusto, arbitrário ou moralmente contraditório. Essa ênfase influenciou reflexões sobre responsabilidade humana, recompensa, punição, sofrimento e legitimidade da autoridade.
Base textual e contexto: Passagens do Alcorão que negam injustiça da parte de Deus são lidas em conjunto com uma tradição teológica racionalmente desenvolvida. O tema também dialoga com correntes kalam que insistiam em compatibilizar soberania divina e justiça.
Debates e variações: As formas de explicar liberdade humana, decreto divino e justiça variam entre escolas, mas a categoria de adl se tornou especialmente emblemática no xiismo.
A favor
Alcorão 4:40
Verso sobre a ausência de injustiça da parte de Deus.
Referência: Alcorão, surata 4, versículo 40.
Conteúdo: O texto afirma que Deus não faz injustiça nem do peso de um átomo.
Uso no debate: É uma referência importante para a doutrina da justiça divina em teologia xiita.
Nahj al-Balagha, Sermão 1
Sermão clássico sobre Deus, criação e ordem moral.
Referência: Nahj al-Balagha, Sermão 1.
Conteúdo: O texto atribuído a Ali apresenta reflexões sobre Deus, criação, ordem e responsabilidade.
Uso no debate: É muito utilizado para ilustrar a densidade teológica e moral da tradição ligada a Ali, inclusive em temas de justiça e transcendência.